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Presidente assina, e Fla terá nova marca na camisa neste domingo


Contrato com a Tim foi aprovado há quase um mês pelo Conselho. Caso clube acerte com outra empresa de telefonia, acordo será desfeito


renato abreu uniforme novo flamengo (Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)Novo uniforme do Fla não tem patrocinador principal
(Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)
O Flamengo, enfim, assinou o contrato com a Tim. A marca será estampada no interior do número da camisa no jogo contra o Botafogo, domingo, às 18h30m, no Engenhão. Mas uma cláusula no contrato  permite que o Rubro-Negro rompa o acordo caso acerte com outra empresa de telefonia celular para ser a patrocinadora master do uniforme.

Este foi o motivo para a demora na assinatura do contrato com a Tim, que, a princípio, renderá R$ 2 milhões ao clube. No último dia 15, o Conselho Deliberativo do clube aprovou o acordo que vai até 2013, com os valores corrigidos a cada temporada. O clube, porém, acreditava na possibilidade de um acerto com a Oi para ser a patrocinadora master. Como as conversas não avançaram, somente na última sexta-feira a presidente Patrícia Amorim homologou o contrato com a Tim.

Na cláusula que permite o rompimento a exigência é que a empresa seja comunicada com antecedência. O valor de R$ 2 milhões ao ano, então, seria recalculado com base no tempo em que foi estampado no uniforme.
O clube segue trabalhando para fechar com um patrocinador master. Inicialmente, os valores pedidos eram cerca de R$ 30 milhões. Diante da dificuldade em achar interessados, o departamento de marketing admitiu a ideia de vender o espaço principal da camisa por R$ 15 milhões e a barra do uniforme por R$ 8 milhões. Mas a intenção principal é conseguir uma empresa disposta a pagar para colocar apenas uma única marca na camisa.
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Outra vez o Botafogo: Fla trata o clássico como uma final antecipada


Rivais buscam a classificação para a semifinal da Taça Rio e se enfrentam neste domingo, às 18h30m, no Engenhão


Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves no treino do Flamengo (Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)Thiago Neves sente que o Fla pode levar também
a Taça Rio(Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)
Flamengo e Botafogo ainda precisam resolver a vida na Taça Rio. Ambos estão em segundo em seus grupos, A e B, respectivamente, e não têm vaga assegurada nas semifinais do segundo turno do estadual. O Rubro-Negro está com 12 pontos, a um do líder Vasco, e começou a semana um pouco mais tranquilo. Depois de três empates seguidos, a vitória sobre o Duque de Caxias, no sábado passado, aliviou o ambiente que andava rodeado por pressão. A cidade de Atibaia-SP foi escolhida como refúgio nesta semana.Com 11 pontos, o Alvinegro está a dois do líder Olaria. Nas últimas três rodadas, conquistou apenas dois pontos (derrota para o Vasco e empates com Boavista e Resende). Recém-chegado, o técnico Caio Júnior inicia o trabalho com a necessidade de apresentar evolução e resultados a curto prazo.
Os rivais se enfrentaram nas semifinais da Taça Guanabara. Após o empates por 1 a 1 no tempo normal, os rubro-negros venceram nos pênaltis. O goleiro Felipe brilhou com duas defesas e classificou a equipe para a decisão.
O meia Thiago Neves espera por um confronto disputado e defende a ideia de que o Flamengo, atual campeão do primeiro turno, precisa buscar a todo custo o título da Taça Rio.
- Vencer o Botafogo para nós é decisão, um jogo importante. Se o Flamengo vencer esse jogo, vai estar em vantagem para conseguir a classificação. Se tropeçarmos, nosso objetivo, que é ser campeão direito, fica um pouco difícil. Importante é vencer o clássico, vencer o Macaé (na rodada seguinte) e chegar na semifinal.
O restrospecto recente acirra a rivalidade. Os times decidiram o título nos últimos quatro anos. Em 2007, 2008 e 2009, o troféu foi para a Gávea. Na temporada passada, vitória redentora do Botafogo.
- É uma decisão antecipada, um clássico. A equipe do Botafogo é muito boa, chegou um novo treinador (Caio Júnior), com quem trabalhei no Palmeiras, sei do potencial dele e vamos nos preparar para neutralizar o adversário.

O grupo do Flamengo ficará no interior paulista até a manhã do próximo sábado, véspera do jogo. O confronto será no Engenhão, às 18h30m (de Brasília), pela sétima rodada.
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Luxa explica confiança em Deivid: 'Sempre foi criticado. E levantava'


Técnico trabalhou com atacante no Santos e no Cruzeiro. Comandante sente que é o momento da volta por cima


No primeiro treino tático do Flamengo nesta terça-feira, em Atibaia, interior de São Paulo, Vanderlei colocou Deivid no ataque rubro-negro. O técnico, que trabalhou com o atacante em dois clubes antes de os dois se reencontrarem na Gávea, garantiu que o jogador não se abate com críticas e pressão da torcida. Luxemburgo lembra que o camisa 9 está mais magro e sente que chegou o momento da volta por cima. O retorno ao time titular deve acontecer contra o Botafogo, justamente o último adversário que enfrentou desde o início, no confronto pela semifinal da Taça Guanabara.

- Conheço ele muito bem. O Deivid jogou comigo no Santos e no Cruzeiro, e sempre foi muito criticado. Ele passava três jogos sem fazer um gol e logo iam nele. Eu falava: ‘levanta aí’. E ele levantava. Não tem esse problema. É calejado, está acostumado a sofrer pressão – afirmou Vanderlei Luxemburgo, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM na última segunda-feira.
deivid treino flamengo angelim (Foto: Cezar Loureiro /Globo )Deivid treinou com o colete titular na última terça-feira em Atibaia  (Foto: Cezar Loureiro /Globo )



Com cinco gols, Deivid é o artilheiro do Flamengo no Campeonato Carioca. Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Wanderley marcaram quatro vezes cada. No treino tático desta terça-feira em Atibaia, Luxemburgo deu atenção especial ao setor ofensivo, e fez ajustes para o clássico de domingo, contra o Botafogo, às 18h30m (de Brasília), no Engenhão.

Apesar da confiança em Deivid, Luxemburgo disse que o clube irá analisar as necessidades de reforços para a equipe. Fernandão, atualmente no São Paulo, seria um dos nomes em pauta. O técnico não negou nem confirmou o interesse no experiente atacante, que perdeu espaço no clube paulista. O nome foi ventilado porque poderia jogar imediatamente. No mercado internacional, Vagner Love é o sonho de consumo. O clube deve fazer na próxima semanaproposta oficial de R$ 34,3 milhões ao CSKA Moscou para contar novamente com o atacante. Mas ele só poderia entrar em campo pelo Flamengo em agosto, quando o Brasileiro já estará na 15ª rodada.

- Fizemos uma primeira etapa de trabalho. Nós tínhamos de montar uma equipe. Saímos atrás de jogadores e montamos. Agora vamos ter uma outra etapa, que é analisar as nossas necessidades. Tudo isso está sendo conversado. Está no contexto - declarou o técnico.
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Flamengo fecha acordo de direitos de transmissão com a Rede Globo


Rubro-Negro é o 12º clube a assinar contrato com a emissora para a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro



Marcelo Campos Pinto e Patrícia Amorim (Foto: Divulgação / site oficial)Marcelo Campos Pinto e Patrícia Amorim se reuniram
nesta terça-feira (Foto: Divulgação / site oficial)
A diretoria do Flamengo fechou nesta terça-feira acordo com a Rede Globo sobre os direitos de transmissão dos jogos do clube no Campeonato Brasileiro. A presidente do Fla, Patrícia Amorim, se reuniu na manhã desta terça com o diretor executivo da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto.
O contrato será encaminhado ao Conselho Deliberativo do clube para análise dos conselheiros.
O Flamengo é o 12º clube a fechar um acordo com a Rede Globo sobre as partidas do Brasileiro. Anteriormente, assinaram contratos com a emissora: Bahia, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Palmeiras, Santos, Sport, Vasco e Vitória.
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Love viaja para Rússia com carta do Fla e diz: 'É bater lá e voltar'


Clube promete fazer proposta oficial de R$ 34,3 milhões ao CSKA Moscou para contar novamente com o atacante em agosto


Vagner Love na partida do CSKA contra o PAOK (Foto: EFE)Vagner Love é a prioridade do Flamengo para o
segundo semestre deste ano (Foto: EFE)
Vagner Love voltou à Rússia na noite desta terça-feira com um artigo especial na mala: uma carta de intenções do Flamengo, em papel timbrado do clube. Nela, o comando rubro-negro indica que vai fazer uma oferta de 15 milhões de euros (R$ 34,3 milhões) ao CSKA Moscou para repatriar o atacante em agosto, tão logo a janela de transferências do exterior seja aberta (na 15ª rodada do Brasileirão).
A diretoria do Fla promete apresentar uma proposta oficial ao clube russo na próxima semana. O atacante tem contrato com o CSKA até 2014, com multa rescisória estabelecida em R$ 91,7 milhões.
E o jogador demonstra confiança de que a negociação será concretizada. No Aeroporto Tom Jobim na noite desta terça, Love afirmou a funcionários do terminal que iria "bater na Rússia e voltar".
Além do desejo de defender novamente o clube do coração, Vagner Love quer retornar ao Brasil porque tem questões particulares a resolver no país.
Com o consentimento dos russos, o atacante havia prorrogado a estadia no Rio de Janeiro. Na última segunda-feira, ele esteve no hotel Windsor, na Barra da Tijuca (Zona Oeste), para visitar os jogadores rubro-negros de surpresa. A presença do atacante novamente alimentou os indícios sobre a evolução da negociação para o retorno ao Flamengo. Ele conversou com Vanderlei Luxemburgo e trocou telefones com o treinador.

O negócio com o CSKA não vai ser barato, pois o clube tem Love como principal jogador da equipe. Além disso, o clube russo vive o ano de seu centenário. Nas últimas temporadas, os dirigentes do clube de Moscou recusaram propostas de Everton (Inglaterra) e Hamburgo (Alemanha), que variavam entre 15 e 20 milhões de euros (até R$ 45,8 milhões).

Depois de aproveitar a pausa do campeonato local para os jogos das seleções, o atacante volta a jogar neste domingo, contra o Zenit, pela quarta rodada.
Na passagem pelo Flamengo, no primeiro semestre do ano passado, Vagner Love impressionou pela média de 0,8 gol por jogo. Balançou as redes 23 vezes em 29 partidas.
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Empresa apresenta proposta de estádio ao Flamengo

DE PRIMA

A Tessler Engenharia, que acaba de deixar a fiscalização das obras da Arena Palestra Itália, apresentou há 20 dias uma proposta de estádio ao Conselho Fiscal do Flamengo. A arena para 53 mil pessoas ficaria em um terreno em Duque de Caxias a ser cedido pela União. No Corinthians a empresa levou oito estudos, que nunca sairam do papel.
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Flamengo faz primeiro treino em Atibaia

Ronaldinho volta a treinar com o grupo





Roberto Murad

A pedidos do técnico Vanderlei Luxemburgo, os jogadores do Flamengo já iniciaram a semana de treinos na cidade de Atibaia, em São Paulo. A grande novidade foi a presença de Ronaldinho, que voltou a trabalhar com o restante do grupo após se recuperar de uma pancada na perna direita.
O Resort Bourbon, onde o Flamengo ficará hospedado até sábado, conta com três campos reduzidos e um oficial. São ao todo mais de 400 mil metros quadrados. A estrutura é muito elogiada pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, que já trabalhou no local em outras ocasiões.
Os jogadores fizeram apenas alguns trabalhos físicos na parte da manhã correndo ao redor do campo e, logo após, fizeram um circuito. 
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Novo estatuto do Flamengo promete ser mais enxuto

DE PRIMA

A proposta de reforma estatutária do Flamengo visa reduzir o número de artigos do atual, de 133 para cerca de 80. A intenção é que cada conselho do clube se regulamente por regimentos internos. A proposta deve ser enviada ainda este mês para análise do presidente do Conselho Deliberativo, Sylvio Capanema.
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Flamengo pode perder meia da Sub-17 para o Manchester United

Rio - O meia Adryan, da Seleção Brasileira Sub-17, pode reforçar o Manchester United. Segundo o jornal Daily Mail e o site Talk Sport, ambos da Inglaterra, o jovem jogador do Flamengo deve ser convidado pelo clube vermelho para um período de treinamentos em Old Trafford nos próximos meses.
Também de acordo com o site inglês, o Real Madrid também tem interesse no jogador - que, segundo o Talk Sport, "tem impressionando no Sul-Americano Sub-17, atuando principalmente como meia-atacante". 

O atleta foi um dos destaques do Flamengo no título da Copa São Paulo de 2011.
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Luxa sem censura: veto a Adriano, fé em Deivid e sonho da Tríplice Coroa


Técnico não teme pressão após o caso Imperador e confia na evolução de R10: 'Ele já faz coisas que não fazia. Dá um tapa na frente e chega na bola'



Vanderlei Luxemburgo durante entrevista no Globoesporte.com (Foto: Rodrigo Costa / Globoesporte.com)Vanderlei Luxemburgo segue confiante
(Foto: Rodrigo Costa / Globoesporte.com)
Ao dizer com todas as letras que não queria Adriano no clube, Vanderlei Luxemburgo se colocou na linha de tiro. Mas a pressão de parte da torcida não abala a confiança de quem se sente líder de um processo com metas mais do que ambiciosas. O treinador não nega que seu sonho é repetir no clube de seu coração o feito de 2003, quando conquistou o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Brasileiro pelo Cruzeiro. Além da Tríplice Coroa, Vanderlei espera ser lembrado como o técnico que recolocou o Flamengo no mapa internacional, com presença constante na Libertadores e estrutura invejável. Um salto que ele mesmo admite estar bem distante.
Na última segunda-feira, Luxa esteve no GLOBOESPORTE.COM. No papo que durou cerca de 40 minutos, deixou poucas perguntas sem resposta. Disse que considera Adriano melhor do que os atacantes que possui na Gávea, mas ainda acredita que Deivid não passará pelo clube sem deixar sua marca de artilheiro. Explicou por que não escala Diego Maurício, elogiou a evolução física de Ronaldinho e disse não temer a grande chance de o time ficar até a 15ª rodada do Brasileiro somente com o elenco atual.
 
É uma questão de honra ser campeão como técnico pelo clube de seu coração?
Já fui campeão, mas ainda não fui do que eu queria. Está no meu interior querer ganhar sempre. Não tem espaço para perdedor no futebol, quero ganhar sempre. Se for no Flamengo, melhor ainda.
Algumas vezes falaram que você estava desmotivado, que não tinha mais a dedicação de outros tempos...
Isso é uma grande mentira, sou apaixonado por futebol. Vivo o futebol intensamente. Sou o primeiro a chegar, último a sair, faço reunião na Gávea... Está no meu sangue. O Alex Ferguson está no Manchester há 30 anos. Ganhou duas Liga dos Campeões. Será que nas outras não estava motivado? Eu já ganhei cinco brasileiros. Já fui campeão paulista, ganhei campeonato mineiro, a Taça Guanabara agora...É que as pessoas querem que eu volte a ganhar o Brasileiro. Só que o Brasileiro é duro de ganhar, não é assim.
 Neste ano, o Flamengo pode pensar grande e almejar a Tríplice Coroa?
 
No ano que vem, temos de disputar a Libertadores e dali não sair mais"
Eu já ganhei uma, em 2003. Fui campeão mineiro, da Copa do Brasil e Brasileiro pelo Cruzeiro. É possível, não dá para pensar pequeno no Flamengo. Se não pensarmos grande, o que estamos fazendo no clube? É um projeto que se iniciou neste ano concretamente. Sempre digo que futebol não é uma ciência exata. O que o Flamengo tem que fazer esse ano é ganhar um título importante. No ano que vem, tem de disputar a Libertadores e dali não sair mais. É onde você tem uma receita maior. Aí passaremos a ser de elite mesmo. Não pode disputar uma Libertadores em um ano e depois ficar quatro, cinco anos para disputar outra. Não serve. Tem que estar como São Paulo, como Inter, como Cruzeiro, esse é o ponto. O Flamengo está se estruturando para poder pensar numa coisa maior. Para conquistar a Tríplice Coroa o clube precisa se estruturar, senão vira um castelo de areia: você ganha e depois vai tudo para o espaço.
Mas em que nível está a montagem do grande time e da estrutura?
Estamos com etapas avançadas. Ninguém imaginava que o Flamengo pudesse ser campeão da Taça Guanabara. O favorito era o Fluminense. O Flamengo entrou como candidato porque é o Flamengo. Por isso digo que antecipamos etapas com o título invicto. Em relação à estrutura, estamos melhorando. Em uma ou duas semanas vai ser o lançamento da pedra fundamental das obras no CT. As pessoas vão ver que lá já temos um refeitório para 42 pessoas, um alojamento, parte administrativa, auditório para reuniões... Já dá para trabalhar. Principalmente se compararmos com uma porção de clubes por aí. Mas não é o ideal, está muito no início. Para Flamengo, não pode ser aquilo ali. Nem pensar.  Encontrei o Flamengo igual a quando eu sai em 95, não tinha nada. O Rio de Janeiro não mudou. O Muricy veio para o Fluminense, outros vieram, e não mudou a mentalidade. Não conseguimos avançar, entender que é necessário. Claro que um time pode ser campeão. Mas em seguida não se sustenta sem um ambiente de trabalho adequado.

E em relação ao projeto de grande time?
O Flamengo tem um time competitivo. Quem tem um grande time? Por exemplo: o São Paulo perdeu para o Santa Cruz. O Flamengo está no caminho certo para formar uma grande equipe. Faltam algumas coisas, mas trabalhamos sossegados para que não inflacione o mercado.

Como você avalia os atuais atacantes do Flamengo? O Adriano não fará falta?
Estamos apostando neles, que têm dado resultado. Se nós formos analisar os dados, são ótimos. O que você não pode é comparar a qualidade do Adriano com a qualidade deles. Mas o Deivid, por exemplo, é um jogador de alto nível. É o nosso artilheiro. Só que a cobrança é tão grande que esquecem que ele é o artilheiro do time no ano. Ele emagreceu, está bem mais fino. E tem de buscar uma motivação, um enfrentamento maior com essa discussão toda que envolve os atacantes do Flamengo. Se ele encontrar essa motivação de mostrar que é um grande atacante e que não precisamos de outro, estou bem.
Vanderlei Luxemburgo durante entrevista no Globoesporte.com (Foto: Rodrigo Costa / Globoesporte.com)Vanderlei Luxemburgo não fugiu das perguntas sobre Adriano (Foto: Rodrigo Costa / Globoesporte.com)
E o Diego Maurício? Não merece uma chance como titular?
Ele tem entrado muito bem nos jogos. Mas como é que eu posso colocar Diego Maurício e Ronaldinho? Os dois caem para o mesmo lado, quem é que vai entrar pelo meio? Não vai dar para jogar. Eu teria de tirar o Ronaldinho ou o Thiago Neves. Podem até jogar juntos dentro de uma circunstância de jogo, como tem acontecido, mas iniciar é complicado. Ele funciona melhor jogando com um outro atacante. Mas para colocar Diego e Wanderley, ou Diego e Deivid, teria de puxar o Thiago e o Ronaldinho. O meio-campo perde força.
Com a janela de transferências internacionais já fechada, existe alguma procura no mercado interno? Na próxima abertura da janela, em agosto, o Campeonato Brasileiro já estará na 15ª rodada. Não é muito tempo sem reforços?
Pega a história do futebol. É assim que funciona. Você monta um time em que você consegue se manter em primeiro, segundo, terceiro, na zona de classificação para a Libertadores. Quando chega no meio do ano para frente é que você dá a arrancada. Quando o Flamengo conquistou o Brasileiro em 2009 foi assim. Contratou três ou quatro jogadores, encaixou o time. Você trabalha com uma equipe forte e vendo no mercado o que vai acontecer. Você estuda suas deficiências, o que precisa para contratar pontualmente. Todos os clubes trabalham assim.
Fernandão está sem chances no São Paulo. Seria um bom nome para o Flamengo, já que poderia vir imediatamente?
Surgem diversos nomes no mercado. Sempre digo que contratação é um assunto interno. Se eu falar que vou contratar, o fulano de dez mil passa para cem; de cem mil vai para um milhão. E se eu disser que vou dispensar um jogador, de um milhão passa para cem.
Qual foi a escolha mais difícil de fazer neste ano: afastar o Pet ou vetar o Adriano?
Não vejo nenhum problema, isso faz parte do futebol. Você tem que fazer o que precisa ser feito. Uns gostam, outros, não. A única coisa que me incomoda é campanha direcionada, isso não traz benefício nenhum. Quando cheguei ao Corinthians em 98, o grande jogador era o Neto, e nem por isso ele deixou de sair do clube. O que houve com com o Pet, no Corinthians aconteceu com Ronaldo, Neto, Henrique, jogadores que tinham sido campeões. Mas era necessário fazer uma mudança, alguém tem que fazer. Fiz a mudança e perdi cinco jogos seguidos no início da minha trajetória no Corinthians.  Mas fomos campeões brasileiros naquele ano, e a sequência do trabalho resultou em título mundial (em 2000). Tem coisas que precisam ser feitas, mesmo que vá doer em alguém. O jogador permanece. O Zico vai deixar de ser campeão do mundo pelo Flamengo? O Adílio, Andrade? Não. O Pet e o Adriano vão deixar de ser campeões brasileiros? Não. A vida do clube continua.

Depois das críticas da torcida, você se arrepende de alguma coisa neste episódio envolvendo o Adriano?
É preciso discutir um pouquinho as razões, o motivo de ter sido feito. Para ficar bem claro: nunca foi discutida dentro do Flamengo a possibilidade de contratar o Adriano de volta. Isso nunca foi discutido, e é uma grande verdade que precisa ser dita.

Nunca houve uma conversa com a presidente Patrícia Amorim sobre o assunto?
Nunca foi ventilada no Flamengo a possibilidade da volta do Adriano.É lógico que tem gente lá contrária a essa ideia, mas entre as pessoas que mandam houve o consenso de que Adriano não tinha que ser discutido. Fulano disse que Adriano vem, que assinou contrato...Isso não existe, a não ser do lado de fora.

Mas a Patrícia, em alguns momentos, deu a entender que a possibilidade existia...
Eu posso dizer “não” de uma forma, a Patrícia pode dizer de outra. A Patrícia é daquele jeito, eu já tenho minha maneira mais direta de dizer. Ela fala “não” de outra forma, o que não quer dizer que tenhamos dito coisas diferentes. O "não" existiu dos dois lados. Ela chegou um dia e colocou que era um consenso, mas ninguém acreditou. Eu falei que o Adriano não tinha espaço no nosso projeto neste momento. Não quer dizer que amanhã, em outro momento, outro clube, eu não possa trabalhar com Adriano. Você não fecha as portas totalmente porque o futebol é rápido, dinâmico. Mas se eu não preservo meu grupo, quem vai preservar? Quem vai ter que ir para a frente, a Patrícia ou o Luxemburgo, que vai estar conversando com os jogadores todos os dias? É o Luxemburgo que tem que ir para frente e falar. Respeito o Adriano, é um grande jogador. Não o conheço pessoalmente, até já tinha convidado ele para o Palmeiras uma vez para trabalhar comigo. Conversei uma vez de cumprimentar, todo mundo fala que é um cara bom. Mas no nosso projeto não cabia.
Não teme que a pressão da torcida atrapalhe o trabalho?
A torcida é emocional, eu sabia que isso tudo isso ia acontecer. Nós estávamos certos, e o torcedor também. A torcida quer seu ídolo, e ele não vai voltar para o clube. Então eles ficam revoltados e vão ao estádio preparados para vaiar qualquer coisa, uma substituição que seja. E nós também temos razão pelo nosso processo. Tudo que aconteceu pertencia ao momento. Não estou chateado com o torcedor, eu entendi. Houve um pico no dia em que o Adriano fechou com o Corinthians, depois não fizemos um jogo legal (empate em 3 a 3 com o Madureira). E agora pegou uma curva descendente, já vencemos, a coisa vai mudando.
Mudando de Adriano para Ronaldinho. Você só tinha trabalhado com ele na Seleção. Como é a rotina dele, a convivência com o grupo?
O respeito e admiração dos colegas por ele dependem muito de como ele se coloca. Se ele se colocar mal, como estrela, aí danou-se. Mas ele é sereno, brinca, sacaneia os jogadores, dá e leva peteleco na orelha na frente dos outros. Ele foi muito bem recebido no grupo. Eu passei a faixa de capitão para ele, pois um jogador com a importância dele vai direcionar o caminho para ou outros poderem seguir. Como foi o Zico. Não tem nenhum problema no comportamento dele, é muito bom. Ele é muito tranquilo, desde a época da Seleção. Não chega atrasado nunca. A experiência no Carnaval foi legal, deu tudo certo.
Você costuma contar uma história curiosa sobre a eliminação do Real Madrid nas oitavas da Liga dos Campeões na temporada 2004/2005. Depois de vencer o Juventus por 1 a 0 no Bernabéu, o time perdeu o jogo de volta justamente no momento em que você substituiu Ronaldo e Zidane. É por isso que não tira o Ronaldinho?
Vanderlei Luxemburgo durante entrevista no Globoesporte.com (Foto: Rodrigo Costa / Globoesporte.com)Vanderlei revela que dificilmente irá substituir R10
(Foto: Rodrigo Costa / Globoesporte.com)
Tinha feito o resultado no Bernabéu e estava jogando pelo empate. Os dois estavam vindo de lesão. Quando tirei os dois, os caras não tiveram mais medo e vieram para cima. Eu pensei: “me ferrei”. A presença deles inibe. Eu deixo o cara jogar porque ele resolve em uma jogada. Jogando mal 89 minutos, decide numa bola. Deixo o craque e crio outras alternativas. Não é que eu não possa tirar o Ronaldinho. Se tiver de acontecer, vai acontecer. Mas será que o outro que vai entrar vai resolver o jogo para mim? Isso é a história do futebol, pode ver.
Mas você está satisfeito com o que o Ronaldinho tem feito dentro de campo?
Está tudo dentro do esperado. A cobrança no Brasil, mesmo que seja um grande jogador, é muito forte. O Júnior, quando voltou ao país (vindo do Pescara, da Itália), ficou praticamente um ano e meio entre titular e reserva. Só depois foi ser o maestro. São treinamentos, cultura, tudo diferente. Dez anos na Europa mudam muita coisa. A abordagem do jogo é diferente. No Brasil, você treina muito para um jogo, lá fora eles treinam para uma temporada. Ele está se readaptando ao Brasil. Agora que ele chegou a 10,2% de percentual de gordura. Nós poderíamos afinar ele de imediato, mas ele perderia a força. Estamos vendo a saúde dele, senão ele não consegue render. Tem de perder gordura e ganhar massa muscular. Ele já está começando a fazer coisas que no início não fazia, como dar um tapa na frente e conseguir ganhar do cara. Ele dava um tapa na frente e ficava para trás. É que nem o time. As pessoas falam: “ah, não tem padrão”. É claro que não tem. Futebol não é um tubo de ensaio em que você coloca os jogadores e sai um time. Leva um certo tempo para você conseguir encaixar. “Ah, o ataque não funciona”. Não funciona ataque, nem meio-campo, nem defesa. Vejo o time como um todo, não olho assim por setor.

Muitos ainda não acreditam no potencial do Flamengo, mesmo com a vaga na final do Carioca assegurada. Você concorda que o time ainda não convenceu?
É o seguinte. O cara sai candidato em uma eleição com 2% na pesquisa. De repente, ele vai para 50%. O processo caminha, quando começa o programa eleitoral muda completamente. Depende muito do que acontece no percurso, do que a mídia passa também. Hoje, a mídia passa que o Flamengo é uma equipe instável. O torcedor assimila isso. O torcedor vê o Flamengo através da internet, do rádio, da TV. Vai formando opinião. O Flamengo não é muito diferente das outras equipes do Brasil. Mas a crítica é maior. A gente vai ter que trabalhar para ir mudando. Daqui a pouco, a gente faz um grande jogo e vocês vão dizer que o Flamengo encontrou seu ideal. E o torcedor vai repetir. Vai se criar uma situação diferente. É assim que funciona mesmo.
Como vê o Flamengo para o Brasileiro deste ano?
A gente sai em desvantagem em relação a algumas outras equipes, como o Cruzeiro"
A gente sai em desvantagem em relação a algumas outras equipes, porque elas estão prontas há mais tempo. O Inter já está sólido há alguns anos, o São Paulo tem sempre um time competitivo, o Fluminense é o atual campeão, o Cruzeiro está com a base todinha do ano passado. É o time mais forte no momento. Achei inclusive que no ano passado o Cruzeiro ia ganhar. Era o time mais certinho. E conseguiu se manter, ganha com propriedade. Nós vamos ter de correr atrás.
Você acha que o Cruzeiro consegue manter esse nível até o fim do ano?
A base é boa, o trabalho lá é muito bem feito, contratam pensando no projeto como um todo, sempre conseguem manter de 60% a 70% do time de um ano para o outro. Mas não vai ser fácil manter, acho que vão perder algumas peças, sempre acontece.
No Flamengo você também teme perder nomes importantes?
É normal que perca. E estamos preparados para isso.
Quantos você acha que perde e quem tem mais medo de perder?
Não dá para precisar. Vou ficar te devendo (risos).
Qual será a importância dessa semana de treinos em Atibaia?

Não estou indo para lá para pressionar jogador. Isso está programado há três ou quatro semanas. É planejamento. Você lembra quando eu disse que queria eliminar os jogos de volta nas duas primeiras fases da Copa do Brasil? É porque eu queria ter quatro semanas cheias para preparar a equipe. Isso não surgiu do nada. Nós vamos entrar na fase crucial deste início de ano. E temos de direcionar a equipe para essa fase de decisão de Carioca e Copa do Brasil. Não há no Rio um local para a pessoa treinar, se alimentar, dormir. Nós queremos que o cara não se preocupe em ir ao supermercado, ou em levar o filho no hospital porque está com dor de barriga. No outro dia mesmo morreu o pai da esposa do Thiago Neves. Ele me pediu dispensa logo depois do treino da manhã, teria um treino à tarde. Se nós estivéssemos em Atibaia ia dar para dispensar? Por isso é que você vai para outro local.
Mas em uma coletiva recente você usou o termo “pressionadazinha”. Percebeu algum excesso noturno do time?
Não houve nada, é normal. O Flamengo fica três jogos sem ganhar e eu vou ficar mudinho? Aí vocês vão falar que o Luxemburgo está omisso. Pressionar faz parte. Mas as pessoas interpretam esse pressionada de uma outra maneira. Pressionar é trabalhar. É analisar o que aconteceu nos três jogos sem vencer. Aí você comenta com o grupo do envolvimento do Adriano, a vaia, tudo está dentro do contexto.
Mas você saiu do Palmeiras e do Atlético-MG em momentos conturbados. Como foi?
Uma das coisas que mais me deixaram chateado nos últimos anos foi a saída do Palmeiras. Porque o time estava pronto para ser campeão. Foi aquela bobagem da entrevista do Keirrison. Disse que ele não jogaria mais comigo, e a vaidade do Belluzzo me tirou. E o Keirrison não jogou mesmo mais em lugar nenhum depois que eu saí. Aquilo ali jogou fora todo um trabalho. O Atlético-MG tinha alguns problemas políticos no time, que todo mundo sabia o que era. Achei melhor conversar com o Kalil e sair. Saí sabendo que o Atlético tinha de manter o elenco, não podia sair todo mundo. E avisei que o clube ia ter problema na frente, tanto é que os problemas estão pipocando agora.
O Ricardinho era um dos problemas? Você trabalharia com ele de novo?
Não.
Por quê?
Porque não (risos).
A vontade de ser presidente do Flamengo continua viva?
No momento, eu estou fazendo o que sempre me propus a fazer no Flamengo, que é o que eu fiz nos outros clubes quando me deram condição. Acho que é muito pouco você ser técnico quando você tem experiência para ser mais do que comandar uma hora de treino de manhã e uma hora de treino de tarde. Acho que tenho de me envolver muito mais. Não mando, mas me envolvo. Agora, para me envolver politicamente, é preciso mais tempo. Não é porque fui ex-jogador do clube que posso querer ser presidente de uma hora para outra. Sou sócio-proprietário, mas teria de passar pelo Conselho, me envolver com o grupo político que eu entenda que é o correto. Tem de conhecer o clube. Por enquanto não, quero ficar só nessa confusão, que é boa ainda.
Você voltaria a trabalhar na Europa? 
Já tive convite, mas acho que passou a época. Agora mesmo no Flamengo já tive propostas de lá. Já trabalhei no Real Madrid, foi uma baita experiência, é o momento de ficar por aqui e abraçar o projeto do Flamengo, que é algo que eu sempre quis.
E Seleção?
Sempre contribuí com Parreira, com Felipão, agora com o Mano, mas não é algo que eu traço como projeto de futuro como um dia eu já tive. Em 97, deixei de ir para o La Coruña para ficar no Corinthians e tentar chegar à Seleção. Todos os jogadores do Palmeiras estavam indo para o La Corunã, acho que eu seria campeão, mas queria ficar aqui. Tracei como objetivo. Hoje a minha história é com o Flamengo. Ganhar título, você ganha ou não. Mas tenho obrigação de colocar o time em condição de disputar os títulos. Esse é o ponto.
 
(Participaram desta entrevista: André Amaral, Bernardo Ferreira, Eduardo Peixoto, Janir Júnior, Luciano Cordeiro Ribeiro, Richard Souza e Thiago Lavinas)
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